segunda-feira, 12 de julho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
http://layrasantarosa.blogspot.com/2010/06/nossas-criancas-o-futuro-do-amanha.html
Galera este blog é super banaca vale a pena dar uma olhada!!!é sobre a crianças o futuro de amanha ...abraços!!
Galera este blog é super banaca vale a pena dar uma olhada!!!é sobre a crianças o futuro de amanha ...abraços!!
terça-feira, 25 de maio de 2010
Educação e TV
Televisão, jornalismo e educação.
Dá para cruzar?
Patricia Portela
Jornalista. Mestranda em Comunicação/UFBA
Apaixonada assumida pela televisão - esse veículo fantástico que abre as janelas desse mundo e de outros para você - , torna-se complicada para mim, a tarefa de escolher um determinado programa de TV para analisá-lo, seja sob que ângulo for. Não comungo com a corrente que insiste em culpá-la pelos males que enfrentamos nesse final de milênio, apesar de achar que, como diriam os francêses, uma boa "higienização" na sua programação não faria mal a nínguém. Que viva a TV Cultura, por ter conseguido aliar conteúdo e forma em alguns dos seus programas, sem que caíssemos nos monótonos e sonolentos programas ditos "educativos", que podem seduzir professores, educadores, psicólogos e intelectuais, menos o grande público - objeto de desejo de qualquer veículo de massa. Alguns bons resultados da TV Cultura podem ser conferidos na Bahia, através das retransmissões da TVE. Vale ressaltar que a TV Cultura é uma fundação e, portanto, ao contrário da nossa TVE, é um veículo "independente" do Estado, que já tem sua mecânica e verbas próprias. Lá, profissionais têm coragem e respaldo político e econômico para ousar. Entretanto, não podemos cair no reducionismo, acreditando que a política é a grande vilã que imperra a criatividade na produção televisiva local, seja educativa ou não.
Infelizmente, o pique da vida moderna ou pós-moderna ou da era da cibernética, não me permite acompanhar a programação televisiva como gostaria.... tipo sessão da tarde com pipoca... Rever as grandes produções hollywoodianas, novelas romanceadas, seriados água-com-açucar (como Mel Rose, Barrados no Baile ou qualquer outro americanóide) ou mesmo um bom talk-show vespertino para relaxar e esquecer os pequenos contratempos que enfrentamos diariamente, envolvendo-me com questões que fazem parte ou não do meu dia-a-dia. Alías, quero registrar aqui, a incrível capacidade que os enlatados americanos têm de fazer com que a gente não pense em absolutamente nada e, ainda assim, nos mantêm ligadinnhos na telinha. Mas vamos deixar de nariz de cêra e partir para a nobre tarefa de analisar um determinado programa.
Por razões óbvias (a de ser jornalista! Alías estou adorando escrever na primeira pessoa e usar exclamações sem culpa nenhuma), atacarei um telejornal de uma das maiores emissoras da televisão brasileira - o SBT. Descartei o jornal Nacional por considerá-lo analisado demais tanto pela academia como por partidos políticos, sindicatos e o próprio público em geral. Ressalto apenas que, apesar dos olhinhos caídos e das rugas de Cid Moreira, o telejornal da TV Globo ainda mexe e remexe na sociedade brasileira, com a mesma intenção de manipular a informação de quando surgiu, quando o Banco Nacional patrocinava o programa - seguindo a mesma idéia de patrocínio do bem-sucedido Repórter Esso. Acabou-se a didadura, mas a Vênus Platinada continuou fazendo acordos e conchaves com os detentores do poder, vivenciando a redemocratização brasileira no mesmo compasso que os políticos.
Bom, dentro desse padrão Globo de se fazer jornalismo, onde o Jornal Nacional impunha regras (até hoje não superadas) e normas que íam desde a exigência do sotaque sulista do repórter à informação induzida e direcionada da emissora, surge uma outra forma de levar as notícias do dia ao telespectador do horário nobre da televisão brasileira.
Para competir com os bem-penteados, "belos" e cheirosos âncoras do Jornal Nacional, aparece um velho conhecido do jornalismo impresso tupiniquim, com um rosto simpático e um jeito de falar diferente (meio boca mole), metendo o bedêlho em todas as notícias que a emissora divulgava. Nascia então o TJ Brasil e seu editor-chefe, apresentador e comentarista Bóris Casoy, o nosso vovô Bóris, que mesmo sustentando um nome russo, dizem às más línguas que teria vinculações com a chamada direita. Em entrevista concedida à Imprensa ele nega as acusações baseado em fortes argumentos. Mas, isso não vem ao caso.
Com o TJ Brasil, as notícias ficaram mais leves e os repórteres apresentavam maior proximidade com o âncora. A preocupação com o conteúdo da matéria superava sua forma. Começou-se a fazer jornalismo analítico também através dos repórteres e não somente pelas vozes dos editores-chefes ou editores setoristas que permaneciam intactos nos estúdios comentando os fatos que o repórter foi ao campo garimpar.
Além do caráter inovador, esse telejornal prima também pela qualidade da informação, na tentativa de se fazer um jornalismo sério e ético (se é que é possível). Digo, na tentativa, porque fica difícil manter-se imune aos tentáculos do dono da emissora, o empresário Sílvio Santos, que aparece no cenário político brasileiro como um sempre provável candidato à alguma coisa. Mas, mesmo assim, Casoy vai seguindo sua linha, divulgando notícias, participando diretamente de importantes momentos da vida nacional e, inclusive, abrindo espaços para entrevistas ao vivo com políticos e notáveis nos sissudos estúdios dos telejornais dos horários nobres, inclusive, entrevistando, personalidades fora do eixo Rio-São Paulo- Brasília.
Críticas? O âncora principal do SBT acaba tecendo comentários demais acerca das matérias, confundindo um pouco o trabalho dos repórteres e induzindo o telespectador à certos conceitos e pré-conceitos sobre diversos assuntos de interesse nacional, principalmente políticos. Num determinado momento (na época do empeachment e da CPI do Orçamento), todos queriam passar o Brasil a limpo e todos sabiam que "isto era uma vergonha". Mas a repetição constante dos mesmos clichês chegou a cansar o público. Até eu, confessadamente seduzida pelos trejeitos, caras e bocas do nobre apresentador, me peguei pedindo para ele não repetir determinadas frases. Pior mesmo, foi constatar que alguns apresentadores dos telejornais locais acabaram seguindo o mesmo estilo, sem a metade do seu charme. A cópia é sempre pior que o original. Lembro-me agora de uma apresentadora local que sempre fecha suas entrevistas com duas perguntas: E o coração? E o pé de meia? Cadê a criatividade? Cerébro também foi feito para suar!
Voltanto ao nosso objeto deste artigo, costatei que diversas vezes, a tão almejada imparcialidade jornalística ficou comprometida com as idéias do senhor Casoy. Arcaicas ou não, sua opinião acabava fechando a matéria com uma mensagem pronta e acabada, sem dar ao telespectador a amplitude necessária para a reflexão. Será que essa imparcialidade não passa de um mito? Pode ser, mas o fato é o fato e, se o buraco da rua foi aberto pela Prefeitura ou pela Embasa ou se tinham duas mil ou dez pessoas em um determinado evento são fatos que não podem ser violados, apesar de saber que para um fato existem diversas versões. Que o diga Kurosawa em um de seus belos filmes, onde várias pessoas narram um assassinato de uma maneira e, no final, o morto reaparece e não é nada daquilo, ou melhor, todas as narrações eram verdadeiras, apenas vistas de ângulo diferentes. Mas, jornalismo é jornalismo e, os profissionais da área têm a obrigação de fazê-lo de forma ética, tentando mostrar os mil e um lados da mesma moeda.
O que tudo isso tem a ver com educação? Tudo! Não há educação via TV, rádio ou jornal, enquanto a informação correta, precisa e verdadeira não for veiculada. Enquanto não tivermos um telejornalismo ético e que priorize os dados informativos em detrimento da posição política de cada emissora de TV, ficará difícil falarmos em educação via televisão. Certo? Telejornal não pode virar diário oficial de determinados governos ou grupos empresariais. Notícia questionada, analisada e pensada induz o telespectador a uma reflexão. E dá para pensar em educação sem reflexão? Portanto, precisamos urgente de um diretor capaz de concretizar essas três formas de amar: televisão, jornalismo e educação. Todas mexem com a mais pura emoção humana!
Fonte:
http://www.faced.ufba.br/~pretto/edc708/sem941/num_0/pati.htm
Dá para cruzar?
Patricia Portela
Jornalista. Mestranda em Comunicação/UFBA
Apaixonada assumida pela televisão - esse veículo fantástico que abre as janelas desse mundo e de outros para você - , torna-se complicada para mim, a tarefa de escolher um determinado programa de TV para analisá-lo, seja sob que ângulo for. Não comungo com a corrente que insiste em culpá-la pelos males que enfrentamos nesse final de milênio, apesar de achar que, como diriam os francêses, uma boa "higienização" na sua programação não faria mal a nínguém. Que viva a TV Cultura, por ter conseguido aliar conteúdo e forma em alguns dos seus programas, sem que caíssemos nos monótonos e sonolentos programas ditos "educativos", que podem seduzir professores, educadores, psicólogos e intelectuais, menos o grande público - objeto de desejo de qualquer veículo de massa. Alguns bons resultados da TV Cultura podem ser conferidos na Bahia, através das retransmissões da TVE. Vale ressaltar que a TV Cultura é uma fundação e, portanto, ao contrário da nossa TVE, é um veículo "independente" do Estado, que já tem sua mecânica e verbas próprias. Lá, profissionais têm coragem e respaldo político e econômico para ousar. Entretanto, não podemos cair no reducionismo, acreditando que a política é a grande vilã que imperra a criatividade na produção televisiva local, seja educativa ou não.
Infelizmente, o pique da vida moderna ou pós-moderna ou da era da cibernética, não me permite acompanhar a programação televisiva como gostaria.... tipo sessão da tarde com pipoca... Rever as grandes produções hollywoodianas, novelas romanceadas, seriados água-com-açucar (como Mel Rose, Barrados no Baile ou qualquer outro americanóide) ou mesmo um bom talk-show vespertino para relaxar e esquecer os pequenos contratempos que enfrentamos diariamente, envolvendo-me com questões que fazem parte ou não do meu dia-a-dia. Alías, quero registrar aqui, a incrível capacidade que os enlatados americanos têm de fazer com que a gente não pense em absolutamente nada e, ainda assim, nos mantêm ligadinnhos na telinha. Mas vamos deixar de nariz de cêra e partir para a nobre tarefa de analisar um determinado programa.
Por razões óbvias (a de ser jornalista! Alías estou adorando escrever na primeira pessoa e usar exclamações sem culpa nenhuma), atacarei um telejornal de uma das maiores emissoras da televisão brasileira - o SBT. Descartei o jornal Nacional por considerá-lo analisado demais tanto pela academia como por partidos políticos, sindicatos e o próprio público em geral. Ressalto apenas que, apesar dos olhinhos caídos e das rugas de Cid Moreira, o telejornal da TV Globo ainda mexe e remexe na sociedade brasileira, com a mesma intenção de manipular a informação de quando surgiu, quando o Banco Nacional patrocinava o programa - seguindo a mesma idéia de patrocínio do bem-sucedido Repórter Esso. Acabou-se a didadura, mas a Vênus Platinada continuou fazendo acordos e conchaves com os detentores do poder, vivenciando a redemocratização brasileira no mesmo compasso que os políticos.
Bom, dentro desse padrão Globo de se fazer jornalismo, onde o Jornal Nacional impunha regras (até hoje não superadas) e normas que íam desde a exigência do sotaque sulista do repórter à informação induzida e direcionada da emissora, surge uma outra forma de levar as notícias do dia ao telespectador do horário nobre da televisão brasileira.
Para competir com os bem-penteados, "belos" e cheirosos âncoras do Jornal Nacional, aparece um velho conhecido do jornalismo impresso tupiniquim, com um rosto simpático e um jeito de falar diferente (meio boca mole), metendo o bedêlho em todas as notícias que a emissora divulgava. Nascia então o TJ Brasil e seu editor-chefe, apresentador e comentarista Bóris Casoy, o nosso vovô Bóris, que mesmo sustentando um nome russo, dizem às más línguas que teria vinculações com a chamada direita. Em entrevista concedida à Imprensa ele nega as acusações baseado em fortes argumentos. Mas, isso não vem ao caso.
Com o TJ Brasil, as notícias ficaram mais leves e os repórteres apresentavam maior proximidade com o âncora. A preocupação com o conteúdo da matéria superava sua forma. Começou-se a fazer jornalismo analítico também através dos repórteres e não somente pelas vozes dos editores-chefes ou editores setoristas que permaneciam intactos nos estúdios comentando os fatos que o repórter foi ao campo garimpar.
Além do caráter inovador, esse telejornal prima também pela qualidade da informação, na tentativa de se fazer um jornalismo sério e ético (se é que é possível). Digo, na tentativa, porque fica difícil manter-se imune aos tentáculos do dono da emissora, o empresário Sílvio Santos, que aparece no cenário político brasileiro como um sempre provável candidato à alguma coisa. Mas, mesmo assim, Casoy vai seguindo sua linha, divulgando notícias, participando diretamente de importantes momentos da vida nacional e, inclusive, abrindo espaços para entrevistas ao vivo com políticos e notáveis nos sissudos estúdios dos telejornais dos horários nobres, inclusive, entrevistando, personalidades fora do eixo Rio-São Paulo- Brasília.
Críticas? O âncora principal do SBT acaba tecendo comentários demais acerca das matérias, confundindo um pouco o trabalho dos repórteres e induzindo o telespectador à certos conceitos e pré-conceitos sobre diversos assuntos de interesse nacional, principalmente políticos. Num determinado momento (na época do empeachment e da CPI do Orçamento), todos queriam passar o Brasil a limpo e todos sabiam que "isto era uma vergonha". Mas a repetição constante dos mesmos clichês chegou a cansar o público. Até eu, confessadamente seduzida pelos trejeitos, caras e bocas do nobre apresentador, me peguei pedindo para ele não repetir determinadas frases. Pior mesmo, foi constatar que alguns apresentadores dos telejornais locais acabaram seguindo o mesmo estilo, sem a metade do seu charme. A cópia é sempre pior que o original. Lembro-me agora de uma apresentadora local que sempre fecha suas entrevistas com duas perguntas: E o coração? E o pé de meia? Cadê a criatividade? Cerébro também foi feito para suar!
Voltanto ao nosso objeto deste artigo, costatei que diversas vezes, a tão almejada imparcialidade jornalística ficou comprometida com as idéias do senhor Casoy. Arcaicas ou não, sua opinião acabava fechando a matéria com uma mensagem pronta e acabada, sem dar ao telespectador a amplitude necessária para a reflexão. Será que essa imparcialidade não passa de um mito? Pode ser, mas o fato é o fato e, se o buraco da rua foi aberto pela Prefeitura ou pela Embasa ou se tinham duas mil ou dez pessoas em um determinado evento são fatos que não podem ser violados, apesar de saber que para um fato existem diversas versões. Que o diga Kurosawa em um de seus belos filmes, onde várias pessoas narram um assassinato de uma maneira e, no final, o morto reaparece e não é nada daquilo, ou melhor, todas as narrações eram verdadeiras, apenas vistas de ângulo diferentes. Mas, jornalismo é jornalismo e, os profissionais da área têm a obrigação de fazê-lo de forma ética, tentando mostrar os mil e um lados da mesma moeda.
O que tudo isso tem a ver com educação? Tudo! Não há educação via TV, rádio ou jornal, enquanto a informação correta, precisa e verdadeira não for veiculada. Enquanto não tivermos um telejornalismo ético e que priorize os dados informativos em detrimento da posição política de cada emissora de TV, ficará difícil falarmos em educação via televisão. Certo? Telejornal não pode virar diário oficial de determinados governos ou grupos empresariais. Notícia questionada, analisada e pensada induz o telespectador a uma reflexão. E dá para pensar em educação sem reflexão? Portanto, precisamos urgente de um diretor capaz de concretizar essas três formas de amar: televisão, jornalismo e educação. Todas mexem com a mais pura emoção humana!
Fonte:
http://www.faced.ufba.br/~pretto/edc708/sem941/num_0/pati.htm
terça-feira, 11 de maio de 2010
educação Escola e familia
PGM 3 - Sobre pais e professores
Relação família e escola na Educação Infantil: algumas reflexões
Patrícia Corsino *
O objetivo deste texto é trazer algumas situações para discutir as múltiplas relações que se estabelecem entre família e escola. Centrei as questões nos primeiros momentos de inserção da criança nos espaços de Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Porém, quando a família entrega filhos e a escola recebe alunos (Medina, 2002) muitos sentimentos participam simultaneamente dessas relações. A busca de uma boa relação entre família e escola deve fazer parte de qualquer trabalho educativo que tem como foco a criança. Além disso, a escola também exerce uma função educativa junto aos pais, discutindo, informando, aconselhando, encaminhando os mais diversos assuntos, para que família e escola, em colaboração mútua, possam promover uma educação integral da criança.
Num primeiro momento do texto, levanto algumas questões: O que significa ser criança hoje? Qual é a função da escola, especialmente na Educação Infantil? Quais são as expectativas da família em relação à escola? E o que ela espera da família? Como os espaços escolares asseguraram os direitos da criança? Como se colocam frente aos pais? Como os pais reivindicam os direitos de seus filhos?
Num segundo momento, trago algumas experiências de interação entre família e escola, numa tentativa de discutir alternativas para ampliar a troca entre ambas.
Educação como direito
A partir da Constituição Federal de 1988, a educação passou a ser um direito da criança assegurado legalmente. Até os seis anos de idade, a freqüência às creches e pré-escolas é uma opção dos pais, cabendo ao Estado o dever de oferecer vagas nestes espaços. No Ensino Fundamental, por volta dos sete anos de idade, a educação torna-se obrigatória. O Estado não pode deixar de atender à demanda por vagas de toda a população infantil que nele ingressa e nem os pais podem deixar os filhos sem freqüentar a escola, estando ambos sujeitos à penalidade legal.
Isto significa o reconhecimento da criança e do jovem como cidadãos que devem ter os seus direitos assegurados, não só pela família, como também pela sociedade e pelo Estado. Visando regulamentar esses direitos constitucionais é criado, através da Lei n.º 8.069, de 13 de junho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA - que parte do pressuposto de que a criança e o adolescente são cidadãos, independente de sua condição social, concepção que o diferencia fundamentalmente das legislações anteriores voltadas exclusivamente para o atendimento à infância pobre, daqueles considerados em "estado de risco" (Código de Menores de 1927) ou em "situação irregular" (Código de Menores de 1979). O ECA configura-se, portanto, num grande instrumento para efetivação de uma democracia participativa no trato dos interesses das crianças e dos adolescentes.
A Constituição de 1988 ainda traz uma importante inovação: o direito da criança de 0 a 6 anos de idade à educação em creches e pré-escolas1. O artigo constitucional nº 208, ressalta que "O dever do Estado com a educação será efetivado mediante garantia de: (...) IV- atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade". A definição legal aponta para a superação do caráter assistencial, até aqui dominante, e passa a exigir uma atuação efetiva do sistema educacional nas suas diferentes instâncias: federal, estadual e municipal. Este direito vem explicitado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. Para esta lei, a diferenciação entre creches e pré-escolas torna-se apenas a faixa etária da criança2 e a avaliação da criança nesses espaços não tem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental ( Brasil, 1996, Seção II, artigos, 29, 30 e 31).
Posta a legislação, surge a primeira questão: se a Educação Infantil é um direito da criança, um dever do Estado e uma opção dos pais, para o direito ser assegurado é necessário haver oferta, para se fazer ou não a opção. A demanda por creches e pré-escolas tem sido cada vez maior, em todas as classes sociais, e a instância pública não tem conseguido atendê-la. Nos municípios cujos habitantes estão mais conscientes dos seus direitos já estão surgindo ações judiciais reivindicando ao Estado a Educação Infantil para as crianças, obrigando a rede municipal a acolhê-las tendo ou não vagas, fato que acontece com mais freqüência com as crianças consideradas em situação de risco pelos Conselhos Tutelares.
Se o mercado exige melhor equipamento e maior sofisticação, mais cara ainda é a contratação de professores qualificados (e não apenas de recreadores e auxiliares de ensino como foi e ainda é comum), com investimento na formação em serviço dos profissionais, a remuneração digna, incluindo as horas de planejamento e reuniões de grupo e a contratação e a manutenção de coordenadores pedagógicos e diretores competentes.
Com isso, é comum ouvirmos3 queixas dos profissionais de creches e pré-escolas da rede privada semelhantes às dos professores da rede pública. Dizem que ganham pouco em relação ao que a instituição exige deles, que participam de reuniões sem remuneração, que o investimento profissional cabe a cada um individualmente, e as inovações pedagógicas, fruto dos investimentos pessoais, são controladas, pouco discutidas e aceitas pelos coordenadores, muitos fazendo o que não acreditam para atender à direção. Falam também dos pais que interferem no trabalho, que os tratam como "empregadas", que depositam na criança uma série de expectativas, que pedem que sejam dados aos filhos exercícios pedagogicamente ultrapassados, que não sabem dar limites nem cuidar dos filhos, que são ausentes, que não olham a agenda para ver se tem recado, que não participam das reuniões ou que ficam reclamando de tudo e perguntando sobre tudo. É comum também ouvir queixas dos pais sobre os mais diversos assuntos da escola; das mordidas e brigas, alimentação inadequada, roupas trocadas ou perdidas, desatenção e falta de cuidado com os filhos, preço de materiais e passeios, à falta de preparo dos professores, reuniões pouco esclarecedoras e enfadonhas, solicitações não atendidas e por aí vai a lista. Mas há também elogios, experiências interessantes sendo desenvolvidas, respeito mútuo, troca porque, sobretudo, o que está em pauta nestas relações é a educação das crianças. A escola tem um compromisso com o serviço que presta e sabe que pais insatisfeitos buscam outra instituição para pôr os filhos. Nas camadas populares, embora algumas questões se assemelhem, as creches e pré-escolas ainda têm um forte cunho assistencialista, higienista, e compensatório. E sua oferta é abaixo da demanda. Vizinhos, parentes, irmãos maiores (e muitas vezes nem tanto) acabam tomando conta das crianças pequenas como podem.
Na década de 80, com o surgimento dos movimentos sociais e incentivadas pela UNICEF a partir de 1987, começam a aparecer creches comunitárias. E como, historicamente, cuidar da criança pequena se identifica à maternagem, à condição feminina e ao "jeito", o trabalho nas creches acabou sendo exercido por mulheres da própria comunidade que não tinham necessariamente uma formação na área educacional. Nestes espaços, muitas vezes improvisados, a relação com as famílias é horizontal, íntima e familiar com trânsito livre das famílias, mas a informalidade e a ausência de formação específica dos profissionais implica questões como: a falta de discriminação entre casa e escola, entre a função de mãe e de professora, entre as instâncias privada e pública. E assim se justifica a surpresa de uma professora que, ao visitar uma creche, viu profissionais sem sapato, usando roupas e vocabulário inadequados para se trabalhar com crianças, conversando sobre elas sem reservas, expondo-as a situações constrangedoras, e a indignação de uma pesquisadora que, ao chegar na creche, viu todas as crianças de uma turma sentadas ao mesmo tempo nos penicos, pois estava na hora de aprender a usá-los.
A compreensão da creche como equipamento educativo tem sido um grande desafio para as Secretarias Municipais de Educação que, ao passarem a ter a responsabilidade pedagógica destes espaços, estão gradativamente tendo que provocar algumas mudanças como: formação dos profissionais, substituição de alguns deles por professores, esclarecimento junto à comunidade sobre a função educativa da creche, organização de reuniões dos profissionais entre si e entre eles e os pais, remuneração condizente à função de professor.
Relação família e escola na Educação Infantil: algumas reflexões
Patrícia Corsino *
O objetivo deste texto é trazer algumas situações para discutir as múltiplas relações que se estabelecem entre família e escola. Centrei as questões nos primeiros momentos de inserção da criança nos espaços de Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Porém, quando a família entrega filhos e a escola recebe alunos (Medina, 2002) muitos sentimentos participam simultaneamente dessas relações. A busca de uma boa relação entre família e escola deve fazer parte de qualquer trabalho educativo que tem como foco a criança. Além disso, a escola também exerce uma função educativa junto aos pais, discutindo, informando, aconselhando, encaminhando os mais diversos assuntos, para que família e escola, em colaboração mútua, possam promover uma educação integral da criança.
Num primeiro momento do texto, levanto algumas questões: O que significa ser criança hoje? Qual é a função da escola, especialmente na Educação Infantil? Quais são as expectativas da família em relação à escola? E o que ela espera da família? Como os espaços escolares asseguraram os direitos da criança? Como se colocam frente aos pais? Como os pais reivindicam os direitos de seus filhos?
Num segundo momento, trago algumas experiências de interação entre família e escola, numa tentativa de discutir alternativas para ampliar a troca entre ambas.
Educação como direito
A partir da Constituição Federal de 1988, a educação passou a ser um direito da criança assegurado legalmente. Até os seis anos de idade, a freqüência às creches e pré-escolas é uma opção dos pais, cabendo ao Estado o dever de oferecer vagas nestes espaços. No Ensino Fundamental, por volta dos sete anos de idade, a educação torna-se obrigatória. O Estado não pode deixar de atender à demanda por vagas de toda a população infantil que nele ingressa e nem os pais podem deixar os filhos sem freqüentar a escola, estando ambos sujeitos à penalidade legal.
Isto significa o reconhecimento da criança e do jovem como cidadãos que devem ter os seus direitos assegurados, não só pela família, como também pela sociedade e pelo Estado. Visando regulamentar esses direitos constitucionais é criado, através da Lei n.º 8.069, de 13 de junho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA - que parte do pressuposto de que a criança e o adolescente são cidadãos, independente de sua condição social, concepção que o diferencia fundamentalmente das legislações anteriores voltadas exclusivamente para o atendimento à infância pobre, daqueles considerados em "estado de risco" (Código de Menores de 1927) ou em "situação irregular" (Código de Menores de 1979). O ECA configura-se, portanto, num grande instrumento para efetivação de uma democracia participativa no trato dos interesses das crianças e dos adolescentes.
A Constituição de 1988 ainda traz uma importante inovação: o direito da criança de 0 a 6 anos de idade à educação em creches e pré-escolas1. O artigo constitucional nº 208, ressalta que "O dever do Estado com a educação será efetivado mediante garantia de: (...) IV- atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade". A definição legal aponta para a superação do caráter assistencial, até aqui dominante, e passa a exigir uma atuação efetiva do sistema educacional nas suas diferentes instâncias: federal, estadual e municipal. Este direito vem explicitado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. Para esta lei, a diferenciação entre creches e pré-escolas torna-se apenas a faixa etária da criança2 e a avaliação da criança nesses espaços não tem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental ( Brasil, 1996, Seção II, artigos, 29, 30 e 31).
Posta a legislação, surge a primeira questão: se a Educação Infantil é um direito da criança, um dever do Estado e uma opção dos pais, para o direito ser assegurado é necessário haver oferta, para se fazer ou não a opção. A demanda por creches e pré-escolas tem sido cada vez maior, em todas as classes sociais, e a instância pública não tem conseguido atendê-la. Nos municípios cujos habitantes estão mais conscientes dos seus direitos já estão surgindo ações judiciais reivindicando ao Estado a Educação Infantil para as crianças, obrigando a rede municipal a acolhê-las tendo ou não vagas, fato que acontece com mais freqüência com as crianças consideradas em situação de risco pelos Conselhos Tutelares.
Se o mercado exige melhor equipamento e maior sofisticação, mais cara ainda é a contratação de professores qualificados (e não apenas de recreadores e auxiliares de ensino como foi e ainda é comum), com investimento na formação em serviço dos profissionais, a remuneração digna, incluindo as horas de planejamento e reuniões de grupo e a contratação e a manutenção de coordenadores pedagógicos e diretores competentes.
Com isso, é comum ouvirmos3 queixas dos profissionais de creches e pré-escolas da rede privada semelhantes às dos professores da rede pública. Dizem que ganham pouco em relação ao que a instituição exige deles, que participam de reuniões sem remuneração, que o investimento profissional cabe a cada um individualmente, e as inovações pedagógicas, fruto dos investimentos pessoais, são controladas, pouco discutidas e aceitas pelos coordenadores, muitos fazendo o que não acreditam para atender à direção. Falam também dos pais que interferem no trabalho, que os tratam como "empregadas", que depositam na criança uma série de expectativas, que pedem que sejam dados aos filhos exercícios pedagogicamente ultrapassados, que não sabem dar limites nem cuidar dos filhos, que são ausentes, que não olham a agenda para ver se tem recado, que não participam das reuniões ou que ficam reclamando de tudo e perguntando sobre tudo. É comum também ouvir queixas dos pais sobre os mais diversos assuntos da escola; das mordidas e brigas, alimentação inadequada, roupas trocadas ou perdidas, desatenção e falta de cuidado com os filhos, preço de materiais e passeios, à falta de preparo dos professores, reuniões pouco esclarecedoras e enfadonhas, solicitações não atendidas e por aí vai a lista. Mas há também elogios, experiências interessantes sendo desenvolvidas, respeito mútuo, troca porque, sobretudo, o que está em pauta nestas relações é a educação das crianças. A escola tem um compromisso com o serviço que presta e sabe que pais insatisfeitos buscam outra instituição para pôr os filhos. Nas camadas populares, embora algumas questões se assemelhem, as creches e pré-escolas ainda têm um forte cunho assistencialista, higienista, e compensatório. E sua oferta é abaixo da demanda. Vizinhos, parentes, irmãos maiores (e muitas vezes nem tanto) acabam tomando conta das crianças pequenas como podem.
Na década de 80, com o surgimento dos movimentos sociais e incentivadas pela UNICEF a partir de 1987, começam a aparecer creches comunitárias. E como, historicamente, cuidar da criança pequena se identifica à maternagem, à condição feminina e ao "jeito", o trabalho nas creches acabou sendo exercido por mulheres da própria comunidade que não tinham necessariamente uma formação na área educacional. Nestes espaços, muitas vezes improvisados, a relação com as famílias é horizontal, íntima e familiar com trânsito livre das famílias, mas a informalidade e a ausência de formação específica dos profissionais implica questões como: a falta de discriminação entre casa e escola, entre a função de mãe e de professora, entre as instâncias privada e pública. E assim se justifica a surpresa de uma professora que, ao visitar uma creche, viu profissionais sem sapato, usando roupas e vocabulário inadequados para se trabalhar com crianças, conversando sobre elas sem reservas, expondo-as a situações constrangedoras, e a indignação de uma pesquisadora que, ao chegar na creche, viu todas as crianças de uma turma sentadas ao mesmo tempo nos penicos, pois estava na hora de aprender a usá-los.
A compreensão da creche como equipamento educativo tem sido um grande desafio para as Secretarias Municipais de Educação que, ao passarem a ter a responsabilidade pedagógica destes espaços, estão gradativamente tendo que provocar algumas mudanças como: formação dos profissionais, substituição de alguns deles por professores, esclarecimento junto à comunidade sobre a função educativa da creche, organização de reuniões dos profissionais entre si e entre eles e os pais, remuneração condizente à função de professor.
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